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Desassoreamento de Lagoas: Quando Fazer e Quais os Benefícios

Nenhuma lagoa de tratamento avisa que está assoreada.

O acúmulo de sedimentos é gradual e invisível — acontece embaixo d’água, centímetro por centímetro, ao longo de anos. Quando o problema fica evidente, ele já está avançado: a eficiência do tratamento caiu, o efluente de saída está fora do padrão e a autuação ambiental virou um risco real.

Este artigo explica como identificar a necessidade da intervenção antes de chegar nesse ponto.

O que é desassoreamento

Desassoreamento é a remoção do material sedimentado no fundo de lagoas, reservatórios, canais e sistemas de tratamento de efluentes.

Esse material — lodo, areia, matéria orgânica e sólidos diversos — se deposita naturalmente ao longo da operação. À medida que se acumula, ocupa o volume que deveria estar disponível para o tratamento, comprometendo a capacidade e a eficiência do sistema.

O fenômeno é comum em:

  • Lagoas de estabilização
  • Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs)
  • Bacias de contenção
  • Reservatórios industriais
  • Sistemas de drenagem
  • Lagoas de decantação em mineração

Os 5 sinais de que o desassoreamento é necessário

1. Queda na eficiência do tratamento

É o sinal mais importante — e o mais frequentemente ignorado. Quando o volume útil da lagoa diminui, o tempo de detenção hidráulica cai junto. O efluente passa mais rápido pelo sistema e não recebe o tratamento adequado.

Na prática, isso aparece nas análises: DBO, DQO e sólidos em suspensão começam a subir na saída, mesmo sem mudança na carga de entrada.

“Quando um cliente me diz que a ETE ‘parou de funcionar direito’ sem motivo aparente, a primeira coisa que peço é uma batimetria. Em boa parte dos casos, a lagoa perdeu 30%, 40% do volume útil para o sedimento. O sistema não quebrou — ele simplesmente ficou pequeno demais para a carga que recebe.”
— Luiz Varandas, Coordenador de Projetos da TSL

2. Mau odor

O acúmulo excessivo de lodo cria zonas anaeróbias no fundo da lagoa. A decomposição sem oxigênio gera gás sulfídrico e outros compostos — o odor característico de ovo podre.

Além do incômodo, é um indicador técnico: significa que a lagoa perdeu a capacidade de manter as condições aeróbias que o tratamento exige.

3. Redução visível da profundidade

Um levantamento batimétrico compara a profundidade atual com a de projeto. Mas mesmo sem batimetria, sinais visuais aparecem: bancos de sedimento emergindo, áreas rasas evidentes, crescimento de vegetação em pontos que deveriam ser profundos.

4. Risco de transbordamento

Uma lagoa com menos volume útil tem menos margem para absorver picos de vazão. Em eventos de chuva intensa ou aumento súbito de carga, o transbordamento se torna possível — com consequências ambientais e regulatórias sérias.

5. Aumento de sólidos na saída

Com menos volume para decantação, partículas que deveriam sedimentar acabam sendo arrastadas para a saída do sistema. É a lagoa “devolvendo” o sedimento que não consegue mais reter.

Como o desassoreamento é executado

A operação pode ser feita com a lagoa em funcionamento — sem necessidade de esvaziamento ou parada do tratamento. Isso é possível porque a remoção é feita por bombeamento, não por escavação.

Dragagem por sucção e recalque

Uma draga posicionada sobre a lagoa — geralmente montada em balsa de dragagem — succiona o sedimento do fundo e o bombeia para a área de tratamento. O sistema opera abaixo da lâmina d’água, sem interferir na operação do tratamento.

Desidratação do material removido

O sedimento retirado vem com altíssimo teor de água — frequentemente acima de 90%. Transportá-lo assim seria economicamente inviável: você estaria pagando frete para carregar água.

Por isso a desidratação é parte integrante do processo, feita por geobags ou centrífugas decanter, conforme a área disponível e o prazo do projeto.

Destinação final

O material desidratado é classificado e destinado conforme sua composição, com toda a documentação de rastreabilidade exigida pela Lei 12.305/10 (Política Nacional de Resíduos Sólidos). A fase líquida separada retorna ao sistema de tratamento.

“Muita gente pensa no desassoreamento como ‘tirar o lodo’. Mas a remoção é só a primeira etapa. O desafio real é o que fazer com o material depois: desidratar, classificar, destinar corretamente e documentar tudo. É aí que a maioria dos projetos trava.”
— Luiz Varandas, Coordenador de Projetos da TSL

Os benefícios

  • Recuperação do volume útil e da capacidade de projeto da lagoa
  • Restabelecimento da eficiência do tratamento — parâmetros de saída voltam ao padrão
  • Eliminação do mau odor e das zonas anaeróbias
  • Redução do risco de transbordamento e de autuação ambiental
  • Aumento da vida útil da instalação — evita a necessidade de construir nova lagoa
  • Conformidade com os parâmetros de lançamento do órgão ambiental

Vale o cálculo: o custo de um desassoreamento é uma fração do custo de construir uma nova lagoa — que é, na prática, a alternativa quando a existente perde a capacidade de forma irreversível.

Com que frequência fazer

Não existe um intervalo padrão. A taxa de assoreamento depende da carga de sólidos afluente, do tipo de efluente e do regime de operação.

O que funciona na prática é o monitoramento: um levantamento batimétrico periódico — a cada dois ou três anos — permite acompanhar a evolução do sedimento e programar a intervenção antes que ela vire emergência.

A diferença entre um desassoreamento programado e um emergencial é significativa em custo e em risco. No programado, você escolhe a janela, negocia o prazo e planeja a destinação. No emergencial, você faz o que dá — sob pressão do órgão ambiental.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre dragagem e desassoreamento?

Dragagem é o método — a técnica de remover sedimento por bombeamento ou escavação. Desassoreamento é o objetivo: recuperar o volume perdido de uma lagoa ou reservatório. Na prática, o desassoreamento é executado por meio de dragagem.

É preciso esvaziar a lagoa para fazer o desassoreamento?

Não. A dragagem por sucção e recalque opera com a lagoa cheia e o tratamento em funcionamento. A draga trabalha abaixo da lâmina d’água, sem interromper a operação.

Quanto tempo leva um desassoreamento?

Depende do volume de sedimento, do acesso à lagoa e da capacidade de desidratação instalada. Projetos de médio porte podem levar de algumas semanas a alguns meses. O levantamento batimétrico prévio permite estimar o prazo.

Com que frequência devo fazer o desassoreamento?

Não há intervalo fixo — depende da carga de sólidos do efluente. O recomendável é fazer levantamento batimétrico a cada dois ou três anos e programar a intervenção quando o volume útil cair significativamente.

O que acontece com o material removido?

Passa por desidratação (geobags ou centrífugas), é classificado conforme sua composição e destinado a local licenciado, com documentação de rastreabilidade. A água separada retorna ao sistema de tratamento.

Quais os riscos de não fazer o desassoreamento?

Perda progressiva de eficiência do tratamento, efluente fora do padrão de lançamento, risco de autuação ambiental, mau odor, risco de transbordamento e, no limite, a necessidade de construir uma nova lagoa.


A TSL Engenharia e Serviços executa projetos de desassoreamento de lagoas com balsas de dragagem próprias, desidratação por geobags ou centrífugas e destinação final documentada — com a operação da lagoa em funcionamento.

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Luiz Varandas

Sobre o Autor

Luiz Varandas — Coordenador de Projetos na TSL Engenharia e Serviços. Atua há mais de 15 anos em Engenharia, Manutenção e Operações Industriais, com experiência nos setores de óleo e gás, petroquímica e mineração em serviços de limpeza industrial, hidrojateamento e manutenção de equipamentos e instalações industriais.

Nome:

Reimar Cruz

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